Biografia do Rei
| O Adeus ao Santos FC |
Mas, a magia do futebol daquele homem que, com seus pés de ouro, fazia arte em campo, ficará imortalizada pelos gramados da Vila Belmiro e na memória daqueles que o assistiram. Porque quem é rei, nunca perde a majestade. Porque Pelé é eterno. "Sinto muita saudade daquela época, principalmente dos meus amigos de equipe. Realmente, isso me deixa muito emocionado". O amistoso Cosmos x Santos na despedida oficial de Pelé pode ser definido como o jogo em que todos perderam. O Rei, porque pretendia e não conseguiu marcar o último gol da carreira pelo Peixe, clube que lhe abriu as portas do sucesso. Quis o destino que seu único gol na partida fosse pelo Cosmos. O Santos, que havia dado adeus a Pelé há alguns anos, foi batido por 2 x 1. O Cosmos, mesmo vencendo o jogo, perdia seu maior craque e relações públicas. Mas, acima de tudo, naquele 1º de outubro de 1977, o futebol era o maior derrotado, ficando sem seu maior jogador de todos os tempos. |
Biografia do Rei
| O Jogador | |
Aos 16 anos, participou de um torneio de quatro equipes européias e brasileiras. O time em que atuou foi um combinado Santos e Vasco e, em uma das partidas, Pelé fez três belos gols. Daí em diante, o Brasil todo começou a enxergar o futuro Rei do Futebol. Pelé conquista o mundo Em menos de um ano, Pelé viu-se diante da grande oportunidade de concretizar a promessa que havia feito a seu pai: ganhar uma Copa do Mundo. Seu primeiro gol na Copa foi contra o País de Gales e classificou o Brasil para a semifinal. Na final da Copa de 58, a Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título mundial depois de ter goleado a anfitiriã Suécia por 5 a 2. Pelé não agüentou e desmaiou em campo (na foto acima Pelé e amparado por Gilmar). "A emoção de participar de algo tão grandioso foi tão importante para mim que nem consigo expressar. Foi a primeira vez que fiz uma viagem para o Exterior e, ainda, realizei meu maior sonho. Com 17 anos, tornei-me o mais novo campeão do mundo. Além disso, levamos o nome do Brasil para fora e demos abertura para outros negros participarem da Copa, pois, até então, eu era o único ", declarou o Rei. A história repetiu-se em 1959 e o Peixe saiu vitorioso, pela primeira vez, no Torneio Rio-São Paulo. Entre os anos de 59 e 61, o Santos Futebol Clube conseguiu, com Pelé, conquistar 11 títulos internacionais. Reconhecida e respeitada internacionalmente, na década de 60, a equipe santista conquistou oito Campeonato Paulistas, e Pelé foi coroado como artilheiro em quase todos eles. Nessa época, o Rei do Futebol recebeu diversos convites para atuar em times no Exterior, principalmente na Europa, mas rejeitou todos. Fiel ao Peixe, tinha outro objetivo em mente. "O Santos ainda não tinha título de campeão sul-americano e eu sonhava em dar esse título ao clube", afirmou. Em 1962, mais uma meta atingida: o time foi campeão sul-americano, goleando a equipe uruguaia do Peñarol, que havia sido campeã em 60 e 61. Brasileira, Garrincha do Botafogo No mesmo ano, mais uma Copa do Mundo à vista e Pelé era o grande nome do momento. Devido à uma distensão, ele não pôde jogar na final, mas o elenco saiu vitorioso e bateu a Tchecoslováquia por 3 a 1, no Chile. O Brasil passou a ser Bicampeão Mundial. "Fiquei muito preocupado e muito chateado por não ter podido ajudar meus colegas. Mas, graças a Deus, o Brasil conseguiu seu segundo título e fiquei muito realizado", afirmou Pelé. Pelé com o coração na camisa Na Copa do Mundo seguinte, em 1966, a Seleção Brasileira viveu um pesadelo: foi eliminada logo na primeira fase. "Foi uma tristeza muito grande para mim, pois eu já era o Pelé e a cobrança era muito grande. Tanto, que eu pensei até em desistir de jogar", afirmou Pelé. Aos 22 anos, o Rei já atingia a marca de 500 gols. À medida que o tempo ía passando e Pelé aproximava-se da marca dos mil gols, as pessoas vibravam. "Quando fui me aproximando do milésimo gol, todos fizeram questão de transformar isso em um grande tema", afirmou Pelé. O tão esperado gol foi um pênalti fulminante, durante o jogo do Santos Futebol Clube contra o Vasco, no Maracanã, em 19 de novembro 1969. "Pela primeira vez, tremi. Nunca senti uma responsabilidade tão grande", completou o Rei (na foto beijando a bola após marcar o miléssimo gol de sua carreira).
|
Títulos
| Marcas conquistadas |
Mais jovem artilheiro do Campeonato Paulista 1957 - Santos (fez 17 anos durante a competição) Mais jovem Campeão Mundial 1958 - Brasil (17 anos) Mais jovem Bicampeão Mundial 1962 - Brasil (21 anos) Maior artilheiro em uma temporada 1959 - 127 gols Maior artilheiro da história da Seleção Brasileira 95 gols Maior artilheiro do futebol profissional 1.281 gols Maior transação do futebol até o fim dos anos 70 1975 - Para o Cosmos (US$ 7 milhões) |
Ficha Técnica
Nome: Edson Arantes do Nascimento
Posição: meia-atacante
Filiação: João Ramos do Nascimento (Dondinho) e Celeste Arantes do Nascimento
Data e Local de Nascimento: 23/10/1940, em Três Corações (MG)- Brasil
Estreia como profissional: Santos FC 7 X 1 Corinthians de Santo André
Jogos: 1.365 jogos
Gols: 1.281 gols
Jogos pelo Santos: 1.116 jogos
Gols pelo Santos: 1.091 gols
Jogos pela Seleção Brasileira: 114 jogos
Gols pela Seleção Brasileira: 95 gols
Clubes: Santos FC (1956 a 1974) e Cosmos (1975 a 1977)
Titulos
1958/60/61/62/64/65/67/68/69/73
Torneio Rio-São Paulo 1959/63/64/66
Taça Brasil/ Robertão 1961/62/63/64/65/68
Taça Libertadores da América 1962/63
Mundial Interclubes 1962/63
Torneio Tereza Herrera 1959
Torneio Pentagonal do México 1959
Torneio de Valência 1959
Torneio Dr. Mario Echandi 1959
Torneio Giallorosso 1960
Torneio Quadrangular de Lima 1960
Torneio de Paris 1960 1961
Torneio Itália 61 1961
Torneio Internacional da Costa Rica 1961
Torneio Pentagonal de Guadalajara 1961
Taça das Américas 1963
Torneio Internacional da Venezuela 1965
Torneio Hexagonal do Chile 1965 1970
Torneio Internacional de Nova York 1966
Torneio Triangular de Florença 1967
Recopa Sul-Americana 1968
Recopa Mundial 1968
Torneio Pentagonal de Buenos Aires 1968
Torneio Octogonal do Chile 1968
Torneio da Amazônia 1968
Torneio de Kingston 1971
Torneio Laudo Natel 1974
Frases
"O maior jogador de futebol do mundo foi Di Stefano. Eu me recuso a classificar Pelé como jogador. Ele está acima de tudo"
PUSKAS, craque do escrete húngaro que dominou o futebol no início dos anos 50
"Se Pelé não tivesse nascido homem teria nascido bola"
"Até a bola pedia autógrafo para Pelé"
ARMANDO NOGUEIRA, jornalista
"Pensei: ele é de carne e osso como eu. Me enganei"
TARCISIO BURGNICH, defensor italiano na Copa de 70
"Parecia um helicóptero em sua mágica capacidade de permanecer no ar o tempo que quisesse"
FACHETTI, zagueiro italiano na Copa de 1970
"Pelé é o único que ultrapassa os limites da lógica"
JOHAN CRUIJFF, comandante do Carrossel Holandês na Copa de 74
"Senti medo, um terrível medo quando vi aqueles olhos. Pareciam olhos de um animal selvagem, olhos que soltavam fogo"
OVERATH, jogador alemão nas Copas de 66 a 74
"Pelé desequilibrou o mundo"
GILMAR, goleiro do Santos e da Seleção
"Muito prazer, eu sou Jimmy Carter, você não precisa se apresentar. Pelé todo o mundo conhece"
JIMMY CARTER, ex-presidente dos Estados Unidos
"Maradona só será um novo Pelé quando ele ganhar 3 Copas do Mundo e marcar mais de mil gols"
CÉSAR LUIS MENOTTI, ex-jogador do Santos e ex-técnico da Seleção Argentina
"Como se soletra Pelé? D-E-U-S"
THE SUNDAY TIMES, jornal inglês com entrevista com Pelé
"Após o quinto gol, eu queria era aplaudí-lo"
SIGGE PARLING, zagueiro sueco encarregado de marcar Pelé durante a final da Copa do Mundo de 1958